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CICLISTA DE SC QUEREM CICLOVIA JUNTO A VIAMAR. RODOVIA TERÁ INVESTIMENTO DE 9 BILHÕES

A mobilização pretende ter um abaixo-assinado com mais de 1 milhão de assinaturas e encontro com governador Jorginho Melo

Por Luciano Abib – Aventuras na Bike

Governo de SC não previu ciclovia para a rodovia ViaMar em projeto bilionário. Investimento representa apenas 4,3% do valor total e ciclistas geram debate sobre legislação estadual que prevê essa implantação

Parte 1

Série de reportagens sobre a CicloViaMar, passa a ser pauta do nosso jornalismo durante os próximos meses. Com custo adicional estimado em R$ 360 milhões para garantir pista regulamentar bidirecional com 3,5m de largura e barreira New Jersey, representa apenas algo em torno de 4,3% do investimento total de 9 bilhões que será destinado à construção da rodovia Via Mar. Analistas apontam que o retorno financeiro e social para o Estado ocorreria em menos de seis anos.

JOINVILLE (SC) — O recém-lançado projeto da rodovia ViaMar (Corredor Litorâneo Norte), projetado pelo Governo de Santa Catarina para se tornar o novo eixo logístico do estado e desafogar a saturada BR-101, acendeu um intenso debate que vai muito além do asfalto e dos caminhões de carga. Com um traçado planejado de aproximadamente 145 quilômetros ligando Joinville ao Contorno Viário da Grande Florianópolis, a nova rodovia nasce sob o peso de uma forte cobrança social e jurídica: a completa ausência de uma ciclovia em seu escopo inicial.
A omissão do espaço para bicicletas está unindo ciclistas, urbanistas e associações de mobilidade em um movimento que exige a revisão imediata do projeto executivo. O grupo argumenta que, além dos evidentes benefícios socioambientais, a inclusão da estrutura é uma obrigação legal. A Lei Estadual nº 17.681, de 11 de janeiro de 2019, determina de forma clara que a construção e a reforma de vias públicas estaduais — o que engloba pontes, viadutos e túneis — devem obrigatoriamente prever espaços segregados para a circulação segura de bicicletas.
O traçado original projetado pelo Governo de Santa Catarina para o Corredor Litorâneo Norte (ViaMar) foi planejado de forma paralela à BR-101, porém deslocado mais para o interior (oeste). Ele visa interceptar importantes rodovias estaduais e federais para criar uma rota alternativa de escoamento.

Link do abaixo-assinado: 

O mapa oficial divulgado pela Secretaria de Estado da Comunicação (SECOM-SC) detalha a divisão inicial do projeto executivo em quatro grandes lotes:

A extensão total projetada para a rodovia ViaMar (Corredor Litorâneo Norte) é de 145,2 quilômetros, ligando a cidade de Joinville (no Norte do estado) até o município de Biguaçu (no início do Contorno Viário da Grande Florianópolis).
O projeto completo é dividido tecnicamente em 5 lotes de execução:
Trecho Norte (Lotes 1 a 4) — Total: 90,5 km
É a primeira fase que está com os projetos executivos contratados, ligando Joinville até Itajaí:
• Lote 1: Joinville (Entrada da BR-101) até a BR-280 (Guaramirim) — 26,85 km
• Lote 2: BR-280 até a SC-415 (Massaranduba/São João do Itaperiú) — 21,09 km
• Lote 3: SC-415 até a SC-414 (Luiz Alves/Navegantes) — 16,77 km
• Lote 4: SC-414 até a Rodovia Antônio Heil (SC-486, em Itajaí) — 25,78 km
Trecho Sul (Lote 5) — Total: 54,7 km
• Lote 5: Da Rodovia Antônio Heil (Itajaí) até o Contorno Viário da Grande Florianópolis (Biguaçu) — 54,72 km (Trecho que inclui a engenharia mais complexa, como o projeto de um túnel duplo em Itapema).

 

Link do abaixo-assinado: 

 

Raio-X Financeiro: O Custo do Investimento vs. Retorno Econômico
Embora a engenharia robusta — que engloba a pista de 3,50m, as barreiras New Jersey e as áreas de escape — eleve o custo da obra, os números provam que o investimento se paga em curto prazo. Diante de um orçamento base estimado em R$ 6,50 bilhões para a construção da rodovia, o incremento para a ciclovia completa representa uma fração minoritária.
O valor total estimado para a construção completa da rodovia Via Mar (Corredor Litorâneo Norte) está projetado entre R$ 7 bilhões e R$ 9 bilhões.
Trata-se da maior obra rodoviária da história de Santa Catarina, e a magnitude desse investimento se deve à complexidade da engenharia necessária para erguer 145 km de uma rodovia totalmente nova (do zero). O traçado exige a transposição de áreas com solo mole, além de dezenas de pontes, viadutos, obras de contenção e túneis.

Para compreender a proporção dos valores, o projeto começou a sair do papel com valores oficiais expressivos:
• O Primeiro Lote (Lote 4): O edital de licitação das obras do primeiro trecho foi lançado pelo governador Jorginho Mello. Esse lote inicial possui 25,7 quilômetros de extensão (ligando Itajaí a Luiz Alves/Navegantes) e tem o investimento previsto de aproximadamente R$ 2,2 bilhões — o que inclui a construção de quatro pontes, quatro viadutos e três grandes estruturas de contenção.
• Projetos Executivos: Apenas para a elaboração técnica e detalhada dos projetos de engenharia dos quatro primeiros lotes, o Estado investiu cerca de R$ 9,6 milhões.

A Ciclovia no Orçamento Global
Diante do custo real da rodovia (que ultrapassará facilmente a casa dos R$ 7 bilhões ao somar todos os cinco lotes), o investimento de R$ 360 milhões pleiteado pelos movimentos ciclísticos para a instalação da ciclovia de alta segurança (com 3,50m de largura útil, barreiras de concreto New Jersey e áreas de escape ao longo de 145 km) torna-se ainda mais viável.
Esse valor representa menos em torno de 4,3% do orçamento global da obra, reforçando o argumento técnico de que incluir a estrutura de mobilidade sustentável desde o início gera um impacto financeiro pequeno para o Estado, mas traz um retorno gigantesco em segurança, turismo e saúde pública.

O cálculo do Período “X” (Payback)
O investimento adicional de R$ 360 milhões para a execução da ciclovia de alta segurança, quando confrontado com o benefício econômico e social gerado de R$ 62 milhões anuais (soma do turismo, economia em saúde e produtividade), resulta em um cálculo claro de amortização:
Isso significa que em 5 anos e 7 meses o valor investido pelo Estado para cumprir a Lei nº 17.681/2019 e proteger a vida de seus cidadãos estará totalmente recuperado. Após este período, a ciclovia passa a operar em superávit financeiro e social por décadas.
O Governo de Santa Catarina encontra-se agora diante de uma decisão estratégica. Adequar o projeto da ViaMar significa alinhar a infraestrutura do estado às diretrizes modernas de sustentabilidade, respeitar a legislação vigente e criar um ativo econômico permanente. Ignorar a ciclovia, por outro lado, pode resultar em judicialização da obra, atrasos crônicos e a perda histórica da oportunidade de construir uma rodovia que realmente pertença ao futuro.

Leia na parte 2:
O impacto na saúde pública e o “corredor do trabalhador”, Cicloturismo Premium: O novo motor econômico das cidades parceiras

Link do abaixo-assinado: 

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